Um continho pra vocês. No diminutivo, não por subestimá-lo, mas por ser pequeno, enxuto e honesto. Como dizem que a essência da vida está nas coisas simples, pequenas, logo o texto nos convém! Leiam com atenção para debatermos posteriormente.
Impulsos, por Setsuna Alave
“Havia algo de incomum. Uma felicidade estranha. Uma agitação incontrolável. Seria isso mesmo felicidade? Tão estranho que era impossível de se crer como possível. Algo dentro de si… Ficava observando o ventilador piscar a lâmpada… Era mais rápido que isso. A monotonia… Estava ao longe. Viajava. Olhava e percebia outras coisas. Incontrolável. O normal não lhe era corriqueiro aquele dia. Estava fora de sua rotina. Algo pulsava. Uma energia que vinha de outro lugar. Como se tivesse sido desviado de outro lugar para si. Um sorriso infantil. O que fizeram enquanto dormia? O local era por demais inapropriado para aquela explosão. O discurso… Haviam tantos pontos que seu orador se esquecera. Local inapropriado para corrigi-lo. Um impulso incontrolável de comentar com quem estava a seu lado. Seria errado? Provável. Aquilo estava lhe incomodando tanto. Eram mentiras. Quer dizer… Eram desvios de verdade. Coisas omitidas propositadamente. Seria tão incorreto assim corrigi-los? Esperava que não. Como um comichão. Um quê de liberdade era necessário… Todos de negro. Não pudera deixar de reparar. O que falavam sobre essa cor, não era verdade. Aquela sua tia… Credo! Não emagrecia nem com uma redução de estômago já feita… Aquilo era perigoso. A via beliscando coisas que não devia. A bisavó diabética… Quem lhe deixou pegar aquela coca-cola?! Estava pasma. A família toda reunida… Era tão bonito de se ver. Todos de preto. Algo como um sonho gótico realizado. Pena as circunstâncias… Tinha que chorar? Era um tanto quanto forçar a situação… Não era? Fazia uma careta mental. Sim, caretas feitas claramente, não caíam bem naquele momento. Infelizmente, ou felizmente… O tédio lhe alcança. Deveria estar triste? Suspira. É algo mais autêntico. Precisava sair dali. Aquele dia, aquele não era seu ambiente… Esqueceram-se, os maus-feitos feitos. Omitiram as mentiras contadas. Tantas coisas… E ela não esquecera. E logo não resistira ao impulso. Saíra. Então, um sorriso em sua face se esboçara. Seria liberdade o que agora encontrara?”
Setsuna Alave é formada em História pela Universidade Federal de Rio Grande (FURG), escreve contos, relatos e poesias e mantém um blog com tais escritos http://houseofsilent.blogspot.com/. Não gosta de chicletes e gostaria de comer carne humana (não consigo guardar esse segredo, Natha!). Garota de futuro promissor.
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